Adão viveu sozinho durante muito tempo, diz Ciência.

04/08/2018 19:41

 

Todo mundo conhece a história de Adão e Eva. Na bíblia a sequência é clara, primeiro vem o primeiro homem – Adão, no sexto dia e somente depois, durante o decorrer do sétimo dia ao descanso de deus, e após o sono profundo, surge a fêmea – Eva, diretamente da sua costela.

Apenas para fazer um cruzamento com outros textos conhecidos, apócrifos e canônicos, pode-se citar o Evangelho de São Tomé, que especifica um período onde os homens não nasciam de mulher (diz isso em seu versículo 15), Jesus também no Evangelho de Lucas (diz isso em seu capítulo 7, versículo 28) declara um frase que abre margem para especular-se que tenha existido alguns "não nascidos de mulher". E o que parecia ser declarações no mínimo estranhas da parte do Messias parece agora estarem corroboradas e fazerem muito sentido, segundo as últimas descobertas científicas. 

 

Em genética, pode-se chamar simbolicamente de Adão e Eva os ancestrais comuns a toda humanidade. Eles seriam os pais, dos pais, dos pais, dos pais, dos pais, dos pais, dos pais, dos pais... de todos os homens e mulheres vivos. A questão é todos os seres humanos carregam em seu genoma parte do DNA de um homem e uma mulher. Correto. Sim, isso vale pelo menos para os seres humanos ATUAIS. Como assim? Só, para os atuais?

 

Na verdade, ainda que nos pareça cena de um filme de ficção científica, agora está deixando de ser ficção e passando a ser conhecimento científico.

Para entender. Na Bíblia Adão foi criado no sexto dia, Eva foi criada somente depois. Acontece que um dia bíblico pode ser mil anos (conforme diz a própria Bíblia em II Pedro 3:8) e agora  uma nova pesquisa publicada na prestigiada revista Science (edição de agosto de 2013) joga um pouco de luz sobre a época em que o “Adão e a Eva da genética” viveram.

Os pesquisadores descobriram que, ao contrário do que mostravam estimativas anteriores, o ancestral comum paterno e o materno não possuem a mesma data e podem ter vivido em momentos diferentes, após o elo perdido. O homem (macho) teria vivido entre 120.000 e 156.000 anos atrás, e a mulher (fêmea), surgiu depois, apenas entre 99.000 e 148.000 anos.

 

Na ciência chama-se de elo perdido o salto, ainda sem explicações claras, entre o último animal primata mais evoluído e o primeiro ser humano. No caso o Adão – ou primeiro ser humano ancestral da nossa carga genética do homo sapiens, surge após o elo perdido e surge antes da mulher. Se Adão viveu sozinho... Como era possível a reprodução?

 

Enfim..., seriam hermafroditas? Inferências à parte, o que se sabe agora após muito tempo de pesquisas, é que finalmente a ciência mostra a possibilidade que tenha existido durante um período apenas uma carga genética masculina.

 

Em estudos anteriores, os cientistas batendo de frente com a Bíblia, estimavam que a ancestral materna poderia ser anterior e até três vezes mais antiga que a paterna. "As pesquisa anteriores indicavam que o ancestral comum masculino teria vivido muito mais recentemente que o feminino. Nossa pesquisa mostra, no entanto, mostra que essa discrepância não existe", diz o PhD. Carlos Bustamante, professor de genética na Universidade de Stanford, e também um dos co-autores do estudo publicado na Science.

 

Mas obviamente, o estudo científico não teve como objetivo reforçar e nem deixar de reforçar os textos sagrados. No entanto, os pesquisadores não sabem dizer o que implica a sobreposição e a não sobreposição dos períodos estimados para a vida dos ancestrais comuns masculinos e femininos e o que ele significa. Segundo o estudo, a coincidência de datas pode não ter nenhuma razão histórica - ser um simples fruto do acaso.

 

Só que cada vez mais, com a sua lógica própria e independente, onde antes havia choque, nota-se que o teor racional do conhecimento científico, a medida que avança, mostra que a ‘arrogância’ científica não leva a nada e que nem tudo que ciência prega como verdade é imutável. A antiga guerra entre ciência querendo fornecer novas visões em histórias anteriores e bem mais antigas, pode ser apenas uma questão de como se observar o fenômeno, o livro de Gênesis há milênios não mudou uma vírgula sequer na sua versão, apenas a ciência primeiro discordou pregando a sua verdade e agora aos poucos vai se aproximando do que a antiga linguagem simbólica e codificada possa verdadeiramente querer comunicar.

 

 

CONHEÇA A PESQUISA:

 

Título original: Sequencing Y Chromosomes Resolves Discrepancy in Time to Common Ancestor of Males Versus Females

Onde foi divulgada:  Science (edição de agosto 2013)

Quem fez: PhD. David Poznik e colaboradores.

Instituição: Universidade de Stanford, EUA; entre outras.

Dados de amostragem: Análises genéticas dos cromossomos Y de homens vindos de 9 regiões diferentes do globo.

Resultado/Resumo: Os pesquisadores encontraram 11.640 variações genéticas entre os cromossomos. A partir disso, construíram uma árvore genealógica a partir do primeiro ancestral comum paterno, com origem entre 120.000 e 156.000 anos atrás, sendo o ancestral comum materno de data bem mais recente.

 

 


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