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Homossexualidade e Homoafetividade no antigo Egito

29/03/2015 14:08

"Não copules com um hemetkhered (1), principalmente se ele pensa que o contrário não lhe agrada e somente isso pode satisfazer a sua paixão. Não passes a noite fazendo com ele, o que é contrário a fim de satisfazer os seus anseios" 

Assim registra o papiro conhecido como Papiro Prisse, na sua máxima de número 32. O papiro egípcio é datado de 1.900 a.C.

 

 Por bater de frente com a visão hetero normativa que prevalece atualmente e também por ser uma passagem de forte caráter moral, foi comum até a década de 1970, o comportamento por parte de alguns egiptólogos que preferiram omitir propositalmente essa passagem de suas traduções.

 Para piorar, por meio de um erro brutal - alguns egiptólogos ainda tentaram traduzir essa palavra enigmática como "mulher-criança"; e sendo interpretada como menina muito jovem esse ensinamento constante no Papiro de Prisse não seria uma crítica ou uma condenação à prática homossexual, mas uma advertência a um comportamento antissocial, assim como o adultério.

 

O fato é que fruto de manipulação intencional ou não, hoje já se sabe o contexto do papiro egípcio mostra que essa tradução de hemetkhered  como sendo mulher adolescente, não faz sentido; pois é certo é que o sufixo utilizado é masculino, o que indicaria certametne que a palavra está se referindo a um indivíduo do sexo masculino. Sendo mais comum a referência a amigo, efebo e também em algumas traduções a homem frágil; mas de qualquer forma, todas as versões consensualmente referindo-se a condição sexual anal da cópula homossexual masculina.

 

Podemos considerar isso uma "revolução" pois até então, a mais discutida fonte sobre o homossexualidade no Egito antigo estava em uma tumba descoberta  pelo arqueólogo Ahmed Moussa em 1964 e datada da V Dinastia.

Localizada na extremidade sudeste do recinto da pirâmide de Djoser (na Necrópole de Saqqara), essa tumba foi feita para dois homens e suas famílias, Niankhkhnum e Khnumhotep.  A grande originalidade dessa tumba é o fato desses dois homens serem representados em poses que, convencionalmente, seríam exclusivas de casais (vide a ilustração acima). Na arte egípcia, o sentimento conjugal é comumente expresso por abraços e a posição das mãos e do corpo praticada pela mulher em seu marido. Provavelmente a relação de  Niankhkhnum e Khnumhotep, era heterogoy; pois se não o fosse seria omitida por suas famílias já que a pratica homossexual era combatida (2).

Juntando as duas informações a da pintura de Niankhkhnum e Khnumhotep e a da não censura aos ditados pelo Papiro de Prisse, há muito de envolvente nessa história e por isso mereceu um tópico específico na nossa seção de tópicos avançados, acerca da Homossexualidade e Homoafetividade no antigo Egito.

Vale a pena conferir!

 

 (1) Devido as dificuldades de tradução é possível ver traduções, como: Efebo (homens jovens entre 14 a 19 anos, mais facilmente "enganáveis"),  Alguém próximo (amigo) e até mesmo garoto afeminado ( homem mais frágil, que se deixa penetrar).

 

 (2) NOTA IMPORTANE: Ambos, Niankhkhnum e Khnumhotep, possuíram esposas e filhos que também estão representados na tumba e chamam a atenção do mundo pois nem por isso os gestos homo afetivos foram negligenciados, e pelo contrário foram registrados como grande feitos entre os dois homens, sem dúvidas não se tratava de uma relação clandestina ou extraconjugal.

 

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