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“Não existe bissexual”, diz o ator Marcello Antony.

15/02/2015 21:30

 

Poderia ser apenas uma declaração banal, dessas que se ouve pelas ruas, mas o autor da frase foi nada mais nada menos que Marcelo Antony, o ator que interpretou o bissexual Eron na novela Amor à Vida.

 

Se para ele bissexual não existe, imagine então se perguntarem para ele sobre a questão dos héteros fléxiveis...  O fato é que ao longo dos últimos anos, apesar da revolução vivida nos campos dos conceitos e dos comportamentos sexuais como um todo, a bissexualidade continua em um patamar de segundo plano, sem identidade, sem movimento social ativista e sem ser vista com bons olhos seja pelos preceitos heterossexuais normativos, seja pelos preceitos de gays militantes.  E indignado por seu personagem ter deixado de ser um gay clássico para se envolver com uma mulher, após a declaração abaixo e ao ser questionado durante a entrevista o ator foi mais longe e criticou até mesmo a opção do autor da novela Walcyr Carrasco, para ele o escritor foi mal na condução da trama homossexual na novela na época e ao ser novamente perguntado sobre  bissexualidade, o ator resumiu e afirmou que para ele tal orientação sexual não existe. A declaração foi feita na internet justo em uma rádio on-line chamada 'Lado Bi'!. 

“No meu entendimento, todo bissexual, no fundo, é homossexual. Tem o bissexual que o cara consegue transar com mulher, mas se botar mesmo no orgasmo, ele goza mesmo com um parceiro, não é com uma mulher”, declarou.

O movimento dos héteros fléxiveis em pouco mais de década de existência e apenas três anos presente no Brasil, mostra uma identidade clara, uma identidade que vai contra a polarização da sexualidade e isso assusta! Nesse quesito o hetero-gay (ou bissexual) e o heterogoy (ou hétero fléxivel) mostram nuances de força, pois o mito da inexistência é certamente uma praga que é jogada para os dois, mas o hétero-g0y carrega uma identidade mais focada, menos confusa e que sem medo de parecer politicamente correto busca delimitar o seu espaço, que é legítimo.

A possibilidade de haver sentimento entre pessoas (independemente do sexo do outro) é negada categoricamente por muitos e é especialmente negada pelos normativos héteros e pelos ditadores gays; no entanto, isso não é novo, ainda na década de 70 - Caramba! 40 anos atrás e quanta tecnologia de lá pra cá, mas a mente humana continua fechada e em um total desrespeito a diversidade fica presa a um pensamento de uma pseudo diversidade dual.

Klein em 1978 em sua grande obra The Bisexual Option mostra que a condição bissexual mesmo que em gradações como foi proposto por Kinsey não interessa nem um pouco para os ortodoxos. Nesse ponto os extremos sejam héteros ou gays se parecem e qualquer situação intermediária passa a ser um tipo de comportamento visto como ameaça, algumas vezes taxado como coisa de gay enrustido e até mesmo visto sob o mito da inexistência.

Para finalizar, deixamos claro que essa declaração do ator Marcello Antony infelizmente ainda representa uma parcela da população, mas o mundo cultural não é estático e muda ao longo do tempo e esse século GRAÇAS é o século das transformações. E quanto a uma possível dúvida que talvez possa estar pairando na sua cabeça, caso não esteja plenamente acostumado com os preceitos g0ys... hummm então todo heterogoy no fundo é um bissexual não assumido... Lembramos que o mesmo Klein coloca desde aquela época (muito antes do movimento g0y surgir) o autor expõe claramente que o sentir-se atraído por homens, por si só não é um requisito para configurar o bissexual masculino, pois tudo depende do nível de intimidade da relação. Dessa forma, apesar da aparente novidade, é totalmente possível a diferenciação amadurecida nos anos 2000 de que a bissexualidade e a bidesejabilidade são noções próximas, no entanto distintas, sendo que uma não necessariamente tenha que transformar-se na outra, e isso está totalmente em conformidade com os pensamentos g-zero-y.

Assim, Klein já na década de 1970, defende a bissexualidade não apenas como uma faceta que implica em um bissexualismo necessário e obrigatório, a prática bissexual (ou bissexualismo) não é a única opção da bissexualidade. O capítulo três da sua obra é totalmente dedicado ao Nível de Intimidade Bissexual. O principal argumento apresentado pelo autor é que existe uma diferença entre  a intimidade emocional e sexual. A conexão entre intimidade emocional e intimidade sexual nem sempre é concreta e o autor defende abertamente a existência do perfil de um homem heterossexual que é capaz de ser emotivamente íntimo com homens.

 

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